Catadores de Papelão – Uma atividade de coragem

7 abr, 2009 | Por Redação Primeira Pauta | Seção: Capa, Gente

O autor Ed René Kivitz argumenta: “todas as pessoas são guiadas, controladas e direcionadas por alguma força que determina o roteiro de sua vida”. Essa força e motivação levam José Junior Ribeiro dos Santos, 15 anos, a fazer um trajeto entre Colombo e Curitiba, em busca do sustento da família. Catador de papelão desde os 11 anos, ele salta cedo da cama e sai de sua cidade sempre acompanhado por alguém da família, percorrendo o caminho até a capital à procura de materiais recicláveis. Garrafas plásticas, vidros, papelão e alumínio, são fontes de renda para a família Santos. Antes mesmo de completar o Ensino Fundamental, Junior deixou a escola para correr atrás do seu ganha-pão, porém diz que pretende voltar aos estudos e um dia se formar, pois tem consciência de que nos dias de hoje ter algum nível de escolaridade é muito importante.
Com seu jeito humilde e fala simples, o jovem trabalhador afirma não possuir documentos de identificação, como RG e CPF. De acordo com a Fundação de Ação Social (FAS), Junior precisa, assim como outras pessoas na mesma condição, comparecer a uma das instalações do Programa do Governo “Paraná em Ação” para a emissão de documentos pessoais. Desta forma garante os direitos como cidadão.
Documentos como Carteira de Trabalho, RG e CPF são confeccionados gratuitamente por esse Programa, que leva cidadania à população de baixa renda de Curitiba e Região Metropolitana. Pessoas como o  Junior precisam de serviços assim a fim de exercer plenamente seus direitos como cidadão.
Apesar do trabalho digno, ele se queixa por encontrar algumas dificuldades existentes no seu ofício, que ainda persistem em atrapalhar sua vida. A primeira delas é o preconceito. “As pessoas xingam a gente!”, diz ele inconformado. Se não tratam mal preferem fingir que eles simplesmente não existem. O segundo problema é o perigo do trânsito. Na dura rotina, arriscam a própria vida dividindo espaço no asfalto com os carros, ônibus e caminhões que seguidamente não os respeitam.
Atualmente, Curitiba conta com mais de quinze mil catadores que já fazem parte da paisagem urbana. Embora essa atividade esteja registrada no Cadastro Brasileiro de Ocupações, ainda não tem o devido reconhecimento da sociedade. O trabalho árduo da coleta e separação do lixo os torna mais importantes para o meio social pela preservação do meio ambiente e da humanidade. Já que colaboram com a  separação do lixo reciclável do orgânico, essa gente põe ordem no caos ambiental.
José Junior e tantos outros catadores são um exemplo de dedicação e coragem que, apesar do descaso e do perigo, trabalham com alegria e se sentem realizados ao trazerem o sustento de suas famílias ao final do dia. É como disse o escritor e poeta Rubem Alves: “Quem por medo não arrisca os desafios terá perdido aquilo que de mais precioso tem na vida – a capacidade de se arriscar para viver o que se ama. Isso tem o nome de coragem.”

Prisciane Beltrão da redação do Primeirapauta.com

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