Aula de Teoria e Técnica Jornalística com toque especial
17 nov, 2009 | Por admin | Seção: Capa, GeralMara Cornelsen e os desafios do jornalismo policial
Por Bruna Quinalha e Kelli Kadanus
Na última quarta-feira (28/10) alunos do segundo período do curso de Jornalismo das Faculdades Opet tiveram a oportunidade de conhecer mais a respeito da área do jornalismo policial e investigativo. A aula de teoria e técnica jornalística, ministrada pelo professor Márcio Rodrigues ganhou um toque especial com a presença da jornalista Mara Cornelsen, que conversou com os alunos a respeito dos desafios da carreira. Mara falou sobre os desafios do jornalismo policial brasileiro, destacando a necessidade de estar fazendo sempre um trabalho melhor. A jornalista relatou sua rotina de trabalho e deu dicas aos ingressos no curso.
Mara Cornelsen, 49 anos, é jornalista policial e especialista em jornalismo investigativo com 30 anos de carreira. Atualmente trabalha no jornal Tribuna do Paraná, onde ingressou em 1980 como repórter policial. Foi a primeira mulher a fazer carreira nesta área no Paraná.
Em entrevista exclusiva concedida ao jornal Primeira Pauta, Mara fez um relato de sua trajetória. Detalhes como, aos 14 anos, ter optado pela profissão por gostar muito de escrever e sempre buscando aprimorar os conhecimentos. Ganhou diversos concursos de redação durante os tempos de escola. Decidiu que precisava de uma profissão que exigisse dela muita leitura e escrita para que pudesse se aprimorar. Aos 16, prestou vestibular na UFPR. Como seu pai achava que jornalismo era curso para homens, Mara disse a ele que havia escolhido o curso de Desenho Industrial. Como passou no vestibular – coisa muito difícil na época, seu pai acabou aceitando sua escolha e a incentivou. Durante o curso, adiantou algumas matérias e concluiu a faculdade em 3 anos.
Segundo a jornalista, não foi ela quem escolheu o jornalismo policial, e sim o contrário. Tudo começou quando foi convidada a substituir um amigo no Diário de Notícias. Mesmo contrariada Mara aceitou o cargo de repórter policial. Desde então, nunca pensou em trocar de área. Ressaltou ainda o grande apoio recebido pelo fotógrafo do jornal que trabalhava com ela como fundamental para sua aprendizagem.
Entre as situações mais difíceis pelas quais já passou, Mara destaca matérias envolvendo acidentes e as primeiras vítimas que viu. Afirma que depois de um tempo acabou criando uma espécie de barreira emocional. Segundo ela, depois de ver tanta tragédia ao longo do tempo não se dá mais tanta importância a pequenos incidentes, como braços quebrados, tombos, etc. Mara destaca também a dificuldade em lidar com as famílias das vítimas, que geralmente confundem o jornalista com um justiceiro e depositam muitas esperanças sobre ele. Segundo ela, essa é uma questão frustrante de seu trabalho como repórter policial.
Entre as principais dificuldades, Mara afirma que está o fato de precisar abandonar algumas matérias devido a interesses da empresa, furo de reportagens dados por outros jornais, ou por falta de tempo para se dedicar a elas. Porém, afirma que quanto mais difícil é uma matéria, mais instigante é a sua conclusão, motivo pelo qual nunca pensa em abrir mão de um trabalho seu.
Sobre a relação com as fontes, a jornalista diz ser sempre uma questão complicada e que se deve saber separar as fontes boas – e com essas manter relações sempre – das ruins, descartando-as logo. Mara revela ainda que muitas informações passadas pelas fontes são repassadas à polícia ajudando em algumas investigações.
Afirma nunca ter ficado desempregada nem ter procurado por emprego. Segundo ela, sempre foi convidada a trabalhar nos lugares por onde passou. Define o jornalismo como uma profissão apaixonante, mas também sacrificante. Como exemplo citou seus primeiros quinze anos de carreira em que teve que praticamente abandonar sua vida social, abrindo mão de festas, reuniões familiares e viagens porque precisava trabalhar aos sábados, domingos, feriados e não raramente durante a noite. Segundo ela, não podia se dar ao luxo de marcar compromissos, pois sabia que a qualquer momento poderiam surgir imprevistos.
Atualmente, Mara possui uma coluna na Tribuna do Paraná aos domingos onde publica suas crônicas. A coluna leva o nome de Crônicas de Mara, batizadas pelo filho em referência ao livro As Crônicas de Nárnia. Os assuntos são os mais diversos e a linguagem é mais leve, mais solta. “O grande tesão é que não tem um tema definido, qualquer coisa pode virar uma crônica” – brinca Mara.
Mara ainda não descarta a possibilidade de escrever um livro futuramente. Segundo ela, seria um desafio literário.