Pesquisa transdisciplinar aponta novos rumos para os comerciais de medicamentos

21 nov, 2009 | Por admin | Seção: Geral

Com a proibição da ANVISA surge uma nova tendência para a publicidade de medicamentos

Bruna Quinalha e Kelli Kadanus – Faculdades Opet

Paula Renata Camargo de Jesus, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC – SP concedeu entrevista durante o Intercom, realizado em setembro, na UP. Durante a entrevista explanou sobre sua pesquisa a respeito do uso de celebridades em comerciais de medicamentos. Este trabalho foi defendido por ela em seu doutorado há um ano.
Trata-se de uma pesquisa transdisciplinar envolvendo comunicação e saúde. Uma decisão da ANVISA determinou que a partir de dezembro de 2008 haveria um prazo de 6 meses para as propagandas de medicamentos com artistas saírem do ar.
Paula aponta o impacto negativo trazido pela presença das celebridades nesse tipo de propaganda influenciando a auto medicação. Um depoimento da atriz Denise Fraga reforça a afirmação de Paula. A atriz afirmou que na época em que participou da campanha publicitária do Doril, pessoas se manifestavam a favor desse medicamento e contavam a ela que haviam experimentado e que havia funcionado. Mas segundo Paula, a propaganda não pode levar toda a culpa, uma vez que os pontos de venda acabam facilitando muito o acesso a essa medicação.
A publicitária aponta que uma possível solução seria a propaganda responsável, que educa e informa, porém devido à linha de raciocínio criativo e a herança cultural brasileira é difícil reverter a situação atual. Há uma resistência muito grande pelas agências de propaganda e como a multa de duzentos mil reais é um valor pequeno as indústrias acham que vale à pena correr o risco.
A respeito das conclusões da pesquisa, Paula afirma que ainda é cedo para determinar os impactos da decisão da ANVISA, uma vez que é um estudo contemporâneo e ainda não dá para sentir se as vendas de medicamentos vão cair por causa dessa decisão.
O marketing farmacêutico, segundo Paula é muito rápido, mas ela acredita que a propaganda consiga educar. “É preciso uma comunicação que informa, e não que deforma”, defende.

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