Telejornalismo no Intercom Júnior
21 nov, 2009 | Por admin | Seção: CapaTrabalho indica perigos de manipulação que pode ocorrer com reduções de fontes
Bruna Quinalha e Kelli Kadanus
“O Telejornalismo e seus Hibridismos” foi o tema do trabalho apresentado pelo trio formado por Nuno Manna, Rafael Azevedo e Bruno Fonseca, alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na edição 2009 do Intercom Júnior. Os alunos abordam a relação entre o telespectador e a imagem, a codificação de imagens, a convergência entre entretenimento e informação, entre outros assuntos.
Segundo Manna, a codificação de imagens ajuda a reforçar mensagens, pontos de vista, estereótipos perdidos e seu uso pode ser positivo ou negativo. “Na verdade a codificação não é um problema em si, e sim o uso que se faz dela”, defende Manna. Segundo ele é necessário avaliar essa codificação de acordo com as questões morais e éticas que seu uso levanta. Essa codificação pode ou não funcionar, dependendo de muitos fatores, como a pessoa lida com o telejornal, à atenção que ela dá e a autenticidade conferida ao que ela assiste.
Como um exemplo negativo, Manna citou algumas matérias exibidas pelo Jornal Nacional nos dias 13 e 19 de maio as quais se refere em seu artigo. “Um jornal falando do estatuto da desigualdade racial e entrevistando uma pessoa negra e uma pessoa branca para reforçá-las, não como pessoas dando opiniões particulares, mas como se representassem todos os negros ou todos os brancos”, diz Manna. Para ele, as opiniões expressas não são um consenso, mas são colocadas como opiniões gerais e reforçam estereótipos.
Um exemplo positivo citado por Manna é quando essa codificação é utilizada com fins didáticos. Segundo ele, “quando se quer mostrar, por exemplo, sobre a crise mundial ou economia, que são matérias complexas, difíceis de passar ao expectador, a codificação pode ajudar a entender melhor”.
A respeito da crescente convergência entre entretenimento e informação, Rafael Azevedo defende “quando bem utilizadas não trazem problema”. Segundo ele, na busca pela adesão do público é inevitável e o uso do entretenimento. Acrescentou ainda que essa convergência também precisa ser bem utilizada.
Azevedo afirma que produções como CQC, Furo MTV e programas populares, apesar de não substituírem o jornalismo tradicional, enriquecem bastante o jornalismo brasileiro. “Eu acho que enriquece sim, no sentido de trazer o debate a público, e o próprio público falar ‘Não, é um humor inteligente… ’ é muito enriquecedor”.
A respeito do uso das imagens pelo telejornalismo, Bruno Fonseca afirmou que qualquer mensagem não-verbal usada está comprometida com o projeto narrativo do telejornal. “Pode ser a imagem mais fiel ao mundo, a gravação ao vivo de um acidente de trânsito ou o gráfico mais exorbitante de uma simulação de algo que nunca aconteceu. As imagens não vão ser retrato do real puramente, estarão comprometidas com a versão dessa verdade que o telejornal quer passar”, explana Fonseca. Segundo ele, tudo depende de como o telespectador vai entender as imagens, dentro do seu poder de recepção da notícia.