Rebouças prevê ampliação no intercâmbio entre Brasil-França
21 nov, 2009 | Por admin | Seção: CapaOrganizadores do Colóquio apontam para possibilidade de maior troca cultural, intelectual e de produção científica
Bruna Quinalha e Kelli Kadanus – 2º período Jornalismo (OPET)
O encerramento do colóquio Brasil-França, moderado por Edgard Rebouças (UFES) e Nicole D’Almeida (CELSA-Sorbonne), ocorrido ainda na fase pré-Intercom 2009, na UP, chegou a um consenso sobre a continuação do mesmo para os próximos anos devido à sua importância no âmbito comunicacional entre os dois países. Segundo Edgard a proposta do colóquio deve ser ampliada não somente com a apresentação de trabalhos, mas também com debates.
Na entrevista coletiva que serviu como “resumo” do Colóquio Brasil-França, falando a respeito das diferenças entre as produções culturais das duas nações, Edgard apontou para estudos comparativos sobre jornais, televisões, propriedades das mídias e conteúdos que “na França existe uma regulamentação, muito diferente da brasileira”. O conteúdo veiculado nos meios de comunicação franceses precisam ser em sua maioria (60%) de produção nacional ou pelo menos européia, ao contrário do Brasil, onde a produção cultural ocupa apenas a menor parcela de tempo de veiculação. Enquanto a França cria uma legislação para proteger a sua produção cultural, quando o assunto é discutido no Brasil é dito que a medida seria censura e fere a liberdade de expressão.
O Colóquio Brasil-França teve como principais temas a Biopolítica de comunicação, explanado pela pesquisadora Linda Bulik (UNIMAR), baseada na obra de Michel Foucault. Para a pesquisadora, ao abordar o conceito de “vontade da verdade” Foucault fez a ponte com o campo do jornalismo. Porém o jornalista que utiliza a objetividade e a imparcialidade falseia a realidade.
Comunicação na Amazônia
O professor Edileuson Santos Almeida (UFPR), por sua vez, explanou sobre a presença do ensino de Comunicação na Amazônia. Segundo ele, esta área de estudo se desenvolveu tardiamente devido à grande extensão do território e a dificuldade de locomoção e transporte.
Durante o debate Edileuson abordou o tema não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Questionado se o fim da exigência diminuiria ainda mais o número de pesquisas no campo comunicacional. O professor afirmou que “A qualidade profissional ainda é determinante”, entendendo que a formação será privilegiada.
Já Edgard Rebouças, apontou que a importância do intercâmbio Brasil-França está na troca de conhecimento. Não se trata apenas do brasileiro sair do país e estudar na França, mas sim de uma troca mútua, onde o francês também pode aprender alguma coisa em nosso país. Edgard ressaltou ainda que o Colóquio pode abrir muitas portas para ambos os países e que os trabalhos apresentados podem resultar em parcerias.
Confecom
Edgar ressaltou a importância da realização da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), agendada para o período entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília. Em sua visão, é importante as pessoas se conscientizarem no uso de tecnologias e que o direito de informação é um direito fundamental. Edgard usou como exemplo as conferências de saúde, cuja primeira edição ocorreu na década de 1940, e têm uma distribuição de delegados mais próxima da realidade, com 50% dos delegados formado por usuários. A outra metade, é dividida entre empresários, trabalhadores e governo. A Confecom será um confronto de posições entre sociedade (40%), empresários (40%) e governo (20%). Segundo Edgard o maior problema é que a sociedade não encara a comunicação como um direito humano nem como interesse público, assim o espaço da televisão e do jornal acaba se tornando um espaço publicitário que é permeado por informação para disfarçar esse comércio.
A respeito das concessões que permitem às emissoras continuar operando, Edgard afirmou que se dá mais importância à tecnologia do que ao conteúdo. O pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo, afirma também que a não concessão acaba sendo complicada devido , entre outros fatores, às pressões do segmento empresarial da área junto aos entes públicos (Legislativo e Executivo). Citou como exemplo o voto nominal para cassar uma concessão; além de explicar que o tempo para que saia a decisão judicial é de, em media, sete anos. Segundo ele, qualquer veículo é passível de perder sua concessão, mas para isso é necessário haver uma conscientização da população.
José Edgard Rebouças é jornalista, com doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e diretor de relações internacionais da Intercom. Suas principais áreas de atuação são a televisão, o jornalismo e a globalização.