Embelezamento não muda “práticas” na Riachuelo
30 jun, 2010 | Por Prof. Marcio Rodrigues | Seção: Capa, GeralRafael Paza
Moradores e comerciantes reclamam da falta de segurança e a convivência com usuários de drogas e comércio do sexo numa das mais importantes ruas do Centro histórico
A Prefeitura de Curitiba começou em outubro do ano passado as obras de revitalização da rua Riachuelo, no centro da cidade. Os trabalhos começaram pelas calçadas, sinalização e iluminação de determinadas ruas. A proposta é levar à região central, onde parte do comércio é formado por lojas de móveis usados, um novo visual às ruas Riachuelo, São Francisco, Barão do Serro Azul e praças centrais, como a Generoso Marques (leia texto abaixo) e Tiradentes (reformada há cerca de dois anos), e o centro histórico do Largo da Ordem e posteriormente outras ruas próximas a região.
Segundo nota divulgada pela prefeitura, a revitalização da Riachuelo terá custo de aproximadamente R$ 860 mil. O cronograma original previa a entrega da remodelada via no último dia 29 de março, quando a capital completou 317 anos.
Além do atraso nas obras, muita coisa pode ter mudado. Mas para alguns moradores ainda há muito a ser alterado. “Tenho vergonha de andar com meus filhos na rua nos finais de semana. Aqui é o paraíso da prostituição. Uma vez levei meu filho para passear no Passeio Publico, depois daquela vez nunca mais passei perto. O pior de morar na Carlos Cavalcanti é isso: bar e prostituição. Aonde que vou andar com as minhas crianças”, reclama a moradora Ivone*.
“Acabar com os traficantes e a prostituição nos arredores da Riachuelo? Impossível. A única coisa que vai mudar é o valor a ser pago pelo aluguel. Ficará muito mais caro pois falarão que o bairro vai se valorizar”, prevê o comerciante Augusto Maroldi, revelando ainda problemas de segurança, ao contar que sua loja foi assaltada três vezes somente em 2010.
Ruim para alguns, bom para outros. De acordo com o projeto da revitalização a Feira do Largo da Ordem aumentou e tem mais segurança. “Graças a essas mudanças, a feira tem novos clientes e não precisamos mais nos preocupar com esses jovens que querem farrear”, conta a feirante Ana Farias.
Muitos moradores e comerciantes alegam não ter visto melhorias e fazem o questionamento se essa reforma realmente aconteceu.
* a mulher ouvida pela reportagem não quis revelar seu nome completo.